Transtorno Obsessivo Compulsivo

É normal ver uma mãe verificando repetidamente a respiração de seu recém-nascido, limpando sua mamadeira ou chupeta compulsivamente por causa de germes, etc. Eu fui diagnostica com Transtorno Obsessivo Compulsivo e Depressão Pós Parto logo após o nascimento das minhas bebês. Naquele momento não me preocupei comigo, eu só fazia tomar o medicamento que tinha que ser pela manhã pois meu foco era 100% elas!

Eu tinha muita angústia pelo tempo que elas ficaram na UTIN e pelo o que aconteceu com a Manuela (isso conto em outro post). Minha segunda gemelar.

Não me sentia culpada pela prematuridade, pois fiz o possível para levar até o máximo que pude e elas também quiseram. Mas, o meu maior tormento era elas terem uma boa saúde, se alimentarem bem e se desenvolverem de acordo com a idade corrigida (isso falarei em outro post).

Hoje, após um ano, consigo falar sobre o assunto sem chorar, sem doer tanto o fato de ter visto minhas filhas pesando um pouco mais de 1kg, de ter vivido uma grande montanha russa de notícias boas e ruins a cada turno de visitas na UTIN.

Hoje me sentindo mais tranquila e vendo o lado bom de tudo, e de tantos traumas, consigo assumir e falar sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo, onde um novo estudo da Universidade Northwestern (EUA) fez uma pesquisa com mães de primeira viagem e termo e os resultados da pesquisa mostram que cerca de 11% das mães experimentam sintomas temporários de transtorno obsessivo compulsivo (TOC) durante alguns meses após o parto.

Pode parecer pouco, mas é um número muito maior do que os 2 a 3% de pessoas que experimentam sintomas de TOC na população em geral.

Transtorno Obsessivo Compulsivo –  Pós Parto

Sintomas de Transtorno Obsessivo Compulsivo incluem pensamentos repetidos e indesejados (obsessões) que criam ansiedade, bem como comportamentos ritualísticos que tentam afastar esses pensamentos (compulsões).

Por exemplo, uma mãe pode repetidamente lavar aos mãos antes de pegar o seu bebê. Ou ela pode se preocupar que o bebê não está seguro em seu berço, e verificar repetidamente se está tudo “ok”.

Lavando as mãos excessivamente
Lavando as mãos excessivamente

O quanto estes pensamentos e comportamentos são “normais”, ou se “cruzam a linha” para algo nocivo, ainda não está totalmente claro.

Segundo a Dra. Dana Gossett, professora de obstetrícia e ginecologia da Universidade, é adequado para uma mãe se preocupar com a segurança e a saúde de seu bebê. No entanto, se esses pensamentos e comportamentos forem angustiantes demais para a mulher, e interferirem com sua habilidade de cuidar de si mesma e de seu bebê, podem representar perigo à saúde.

Por exemplo, uma mãe se preocupar tanto com o seu bebê durante a noite que acaba não dormindo nenhum pouco, ou verificar o assento da criança no carro tantas vezes antes de dirigir que não sai de casa, são casos em que o comportamento cruza a linha da patologia, explica Gossett.

“Pode ser que certos tipos de obsessões e compulsões sejam adaptáveis e apropriadas para uma nova mãe, por exemplo, as com limpeza e higiene”, disse Gossett. “Mas quando interferem com seu funcionamento do dia-a-dia ou com o atendimento adequado para o bebê, tornam-se mal adaptativos e patológicos”.

Pesquisa a respeito

Um novo estudo, por sua vez, acompanhou as mulheres a partir do momento em que deram à luz no hospital até seus bebês completarem seis meses de idade, pedindo às novas mamães que preenchessem uma pesquisa que avaliava seus sintomas do TOC.

Duas semanas após o parto, 51 das 461 mulheres no estudo relataram ter sintomas de TOC. Depois de seis meses (quando menos mulheres responderam à pesquisa), 35 das 329 participantes relataram sintomas.

Cerca de metade das mulheres que relataram sintomas com duas semanas haviam melhorado aos seis meses. Mas algumas mulheres tinham apenas começado a sentir os sintomas de TOC aos seis meses.

“Se os sintomas se desenvolvem mais tarde após o parto, é menos provável de ser hormonal ou adaptativo”, explica Gossett. “O risco para distúrbios psicológicos persiste por até um ano após o parto”.

Causas

Segundo os pesquisadores, estresse é um fator desencadeador de TOC conhecido, por isso é possível que o estresse da gravidez e de ter que cuidar de um bebê possa predispor as mulheres à condição.

Os níveis hormonais antes e após a gravidez e as mudanças no cérebro após o parto também podem contribuir para os sintomas.

Por fim, como as participantes não foram entrevistadas por um psiquiatra profissional, é possível que algumas já tivessem experimentado TOC antes do parto, mas não sabiam que tinham a doença. Cerca de 0,4% delas relataram ter sido diagnosticadas com TOC por um médico antes de dar à luz.

Cerca de 70% das mulheres que tiveram diagnóstico positivo para sintomas obsessivo-compulsivos também eram propensas à depressão.

Essa sobreposição e o subconjunto único de obsessões e compulsões podem indicar que o TOC pós-parto representa uma doença mental pós-parto distinta que ainda não é bem classificada.

“Há algum debate sobre se a depressão pós-parto é simplesmente um episódio depressivo maior que acontece após o nascimento, ou uma doença própria, com suas características próprias”, disse Emily Miller, principal autora da pesquisa. “Nosso estudo apoia a ideia de que pode ser uma doença própria, com sintomas mais de ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo do que seria típico em um episódio depressivo maior”.

O estudo envolveu principalmente mulheres com ensino superior que ganhavam mais de US$ 100.000 (cerca de R$ 200.000) por ano, por isso os resultados podem não se aplicar às mulheres de outros grupos socioeconômicos.

Como tratar

Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor para o paciente. Se for pai ou mãe de uma criança que esteja apresentando esses sinais, procure um médico:

  • Clínico geral
  • Psiquiatra
  • Psicólogo
  • Neurologista
  • Pediatra

É uma doença que deve ser tratada e que em muitos casos pode piorar.

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